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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

"CIÊNCIA E/OU DEUS"

SHERMER – “CIÊNCIA E/OU DEUS”

SHERMER - Diz ele que a ciência não torna a crença em Deus obsoleta, mas que torna o próprio Deus obsoleto (está lá, na última frase do ensaio). Só que, para isso, é preciso levar a ciência às últimas conseqüências. "A maioria das religiões ocidentais descreve Deus como onisciente e onipotente, criador de todas as coisas visíveis e invisíveis [de fato, esse é um artigo do Credo niceno-constantinopolitano], um Designer Inteligente capaz de construir o universo, a Terra, a vida, e nós", afirma Shermer. Pois bem: então, o que chamamos de "Deus" poderia muito bem ser... um alienígena extremamente poderoso e inteligente! Shermer até elabora uma "lei" à qual dá seu nome, segundo a qual não seria possível diferenciar "Deus" de qualquer inteligência extraterrestre suficientemente avançada.
O raciocínio de Shermer é o seguinte: devido ao tamanho do universo, e à nossa atual tecnologia, se um dia fizermos contato com algum ET, ele será inevitavelmente mais inteligente que nós, pois terá chegado mais perto de nós do que nós teríamos chegado perto dele. E, considerando os avanços da ciência humana, em 50 anos conseguimos um poder, por exemplo, sobre nossos genes que era inimaginável. Se mostrássemos a um homem de 1950 um rato com uma orelha humana nas costas, ele jamais acreditaria que "fomos nós" que fizemos aquilo. Pois bem: imaginemos um alien que estivesse 50 mil anos à nossa frente em desenvolvimento tecnológico. Que coisas ele não seria capaz de fazer, e que seriam inexplicáveis para nós? E 50 mil anos nem seriam tanta coisa assim. E se o extraterrestre estivesse, sei lá, 1 milhão de anos à nossa frente? Ele não poderia criar estrelas, quem sabe um universo inteiro? "Como chamaríamos uma inteligência capaz de criar um universo, estrelas, planetas, e vida? Se nós conhecêssemos a ciência e a tecnologia envolvidas, chamaríamos de inteligência extraterrestre; se não conhecêssemos, chamaríamos de Deus", conclui. Ou seja, os deuses eram mesmo astronautas...
O problema de Shermer é o mesmo que eu já havia apontado lá no primeiro ensaio, do Steven Pinker: cria-se um Deus ao seu modo para que se possa espancá-lo convenientemente. De fato, as propriedades do Deus judaico-cristão (é inevitável pensar que estejamos falando desse Deus) incluem aquelas citadas pelo editor da Skeptic; mas não se resumem àquilo. Para ser Deus, por exemplo, Ele tem de ser eterno e ser causa primeira de todas as coisas; mas o super-alien de Shermer não é nada disso, como ele mesmo diz: "o único Deus que a ciência poderia descobrir seria um ser natural, uma entidade que existe no espaço e no tempo, e é limitada pelas leis da natureza." A questão é que um ser assim simplesmente não pode ser Deus! Shermer continua, talvez sem perceber o tiro no pé: "um Deus sobrenatural seria tão totalmente um Outro que ciência nenhuma poderia conhecê-Lo." Essa frase faz muito sentido – e talvez por isso mesmo ela derrube todo o resto do ensaio. Ninguém está presumindo que Deus seja "captável em laboratório". Pelo menos não os crentes sensatos. Deus efetivamente é sobrenatural. Então, se tal Deus não pode ser conhecido pela ciência, conseqüentemente também não pode ser negado por ela; assim, a ciência, no fim das contas, não poderia tornar Deus obsoleto. Bem o contrário do que Shermer diz.
Quando os espanhóis desembarcaram no Novo Mundo, os povos pré-colombianos também acharam que aqueles caras que vinham do mar num negócio enorme de madeira eram deuses. Pode ter demorado um pouco, mas os índios descobriram que não era bem assim. Por que seria diferente com o super-alien de Shermer?
"- Podemos controlar nosso destino e de outras pessoas"? (E Deus pode?)
Ctba, 12/janeiro/2009
Maria M. Prybicz

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