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segunda-feira, 9 de março de 2015

ENERGIAS RENOVÁVEIS AVANÇAM!

A súbita e inesperada queda dos preços do petróleo a mais do que a metade desde meados do ano passado sacudiu o mundo. Alguns dos impactos foram imediatos e visíveis; outros, não.
Nos países que dependem das exportações de petróleo para manter a economia à tona, a população sofre duros cortes nos orçamentos governamentais, a desvalorização da moeda e, em geral, uma situação econômica difícil. Venezuela, Irã, Nigéria e Rússia são os mais afetados. Em conjunto, os países exportadores de energia deixaram de receber 2 trilhões de dólares (6 trilhões de reais) em receita por ano. Em troca, os consumidores de petróleo se beneficiaram significativamente: para cada norte-americano, por exemplo, a queda dos preços representou uma economia equivalente a um aumento salarial de 4,5%. A inflação mundial média também diminuiu, a agricultura se beneficiou e muitas economias se viram estimuladas pelos preços mais baixos da energia.
Agora começam a aflorar os surpreendentes efeitos indiretos do petróleo barato. São muitos, e cada vez aparecem mais, mas há três muito interessantes: primeiro, o estímulo para eliminar ou reduzir subsídios que são muito injustos; segundo, o impacto sobre os mercados financeiros mundiais, e terceiro, a pressão sobre os produtores de energias renováveis (solar, eólica etc) para que baixem custos e possam competir com mais êxito contra o carvão, o gás e o petróleo.
 Os subsídios: muitos Governos mantêm os preços do combustível e da eletricidade artificialmente baixos e compensam as perdas dos produtores com subsídios que saem do tesouro nacional. Isso custa 540 bilhões de dólares por ano. Estudos do Banco Mundial provam que essa política exacerba a desigualdade, já que esse gasto público beneficia mais os que mais ganham. No Oriente Médio, por exemplo, entre 60% e 80% desses subsídios beneficiam os 20% mais ricos da população, enquanto aos mais pobres só chegam 10% dos subsídios energéticos. O ideal é eliminar esses injustos subsídios genéricos e substituí-los por ajudas que cheguem diretamente à população com menor renda. Mas os Governos temem a reação das classes médias e altas ao aumento do que pagam pela gasolina e eletricidade. No entanto, graças à queda dos preços, agora se atrevem a fazer isso. Da Índia ao Marrocos e da Malásia ao Kuwait, cada vez mais Governos estão reduzindo os subsídios à energia, já que a queda dos preços mundiais do petróleo amortece o impacto dessa medida.
O mercado financeiro mundial: quando os preços do petróleo estão altos, os países exportadores acumulam enorme quantidade de dinheiro. Muitos deles criaram fundos soberanos de investimento para colocar esses excedentes financeiros nos mercados mundiais, comprando ações e títulos. O fundo de investimento soberano da Noruega, por exemplo, tem ativos de 893 bilhões de dólares e é dono de 1,3% de todas as ações e títulos no mercado mundial. Os demais fundos desse tipo acumularam ativos avaliados em 7 trilhões de dólares. Quando as receitas do petróleo caem, muitos desses países se veem obrigados a utilizar esses fundos para cobrir as brechas que há entre sua receita e os gastos públicos. Por isso, eles têm de sair à venda de expressiva quantidade de ações, títulos e outros ativos. Isso vai provocar significativas mudanças na propriedade de muitas empresas importantes que agora serão postas à venda. Veremos muitas surpresas nesse campo.
Sol e vento: as energias renováveis e menos poluentes vinham competindo em desvantagem contra o carvão e os hidrocarbonetos. Simplesmente é mais caro usar o vento e o sol para produzir energia do que o carvão e o petróleo. E isso, claro, é ruim para o meio ambiente. Recentemente, os custos de produção da energias renováveis vinham sendo reduzidos, embora ainda continuem sendo mais caras. Mas a queda do preço do petróleo fará com que, para sobreviver, a indústria da energia solar e a eólica se vejam forçadas a avançar ainda mais na redução de custos. Assim, quando o preço dos hidrocarbonetos voltar a subir –o que ocorrerá cedo ou tarde –, as energias renováveis e menos poluentes terão custos e preços que lhes permitirão competir melhor do que nunca com o carvão e o petróleo. E isso é uma boa notícia.
Fonte: El País
Ctba, 09/mar/15
Maria Prybicz

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