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quarta-feira, 4 de março de 2009

"EXISTEM SEMELHANÇAS CONTEMPORÂNEAS?"

A ESCRAVIDÃO NA PRIMEIRA EDIÇÃO DO TRATADO DE ECONOMIA POLÍTICA

Say analisou o efeito da escravidão sobre a produção no capítulo do Tratado denominado "As colônias e seus produtos". Para tanto, tomou como ponto de partida uma proposição: "não tenho dúvida alguma que [a escravidão] aumenta muito" a produção, "ou, pelo menos, que com o trabalho do escravo o excedente dos produtos sobre o consumo é maior do que com o trabalho do homem livre" (Say, 1803, I:216).
Para desenvolver a proposição, Say lançou mão de dois recursos, designados "raciocínios" e "experiência", ou seja, sustentou a proposição com dados obtidos pelo emprego da razão e com outros supostamente empíricos.
Os "raciocínios" mostravam, em última análise, que os limites do trabalho e do consumo do escravo eram fixados pelas faculdades do escravo e pela ganância do senhor, ao passo que o empenho no trabalho e as necessidades de consumo do homem livre estavam subordinados às suas faculdades e vontades.
A "experiência", por sua vez, foi apresentada pelo seguinte cálculo: o custo de manutenção de um escravo por ano é de F$ 300, ao qual devem ser acrescentados 10% de juros relativos ao preço pago na compra do escravo - aproximadamente F$ 2000; da soma desses valores tem-se, portanto, uma despesa total por ano de F$ 500 com cada escravo. A jornada de trabalho de um homem livre nas Antilhas custa, em média, F$ 6 que, multiplicados por 300 dias de trabalho, totalizam um gasto de F$ 1800, o que significa que "o excedente do produto do trabalho do escravo sobre seu consumo supera em F$ 500 o excedente do produto do trabalho de um homem livre sobre seu consumo" (Say, 1803, I:219)
Ao demonstrar, por meio desses recursos, que o trabalho escravo era mais barato que o do homem livre, Say opunha-se aos economistas políticos que o antecederam. De fato, reconhecendo que para Stewart, Turgot (3) e Smith o trabalho escravo era mais caro que o do homem livre, Say manifestou perplexidade por terem formulado tal princípio. Mas, evitou, pelo menos de imediato, um confronto direto com eles, provavelmente até mesmo como uma maneira de reverenciar as figuras mais consagradas da Economia Política do seu tempo, e confessou que suspeitava da sua própria opinião diante daquela formulada por "três homens tão hábeis". Assim, para fins de comparação e avaliação, submeteu aos leitores uma síntese da opinião desses economistas.
Segundo Say, o princípio de que o trabalho escravo era mais caro que o do trabalhador livre fora elaborado por Stewart, Turgot e Adam Smith a partir de quatro raciocínios:
· o homem que não trabalha e não consome por conta própria, trabalha o menos possível e consome o mais que pode;
· nesta condição, não tem interesse em colocar nos seus trabalhos a inteligência e o cuidado que lhe podem assegurar o sucesso;
· o trabalho excessivo a que o escravo é submetido encurta sua vida e obriga o senhor a fazer reposições caras;
· se o empregado livre administra sua própria manutenção, a do escravo é administrada pelo senhor; como é impossível que este a administre com a mesma economia que o trabalhador livre, o trabalho do escravo custará mais caro.

- Poderemos ver semelhanças com os dias atuais! Principalmente depois da ocorrência desta “CRISE GLOBAL”!

Ctba, 04/mar/09
Maria M. Prybicz.

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Economista/Professora/Escritora de Blog e outros; Disciplina: Gestão de Negócios; - Autonomia em Consultorias em Geral.