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sábado, 19 de julho de 2014

O AMOR, SEMPRE O AMOR!
O amor é um maltrapilho que toca a campainha numa daquelas manhãs em que a tristeza está sentada conosco no sofá. Nós vamos lá fora, levamos a ele um sanduíche, um copo de suco e, em vez de o deixarmos ir, permitimos que ele comece a nos contar uma história.
A história é longa e, com pena do seu cansaço e também para que nossos vizinhos não nos julguem impiedosos, porque ele treme de frio, nós o convidamos a entrar. ELE MOSTRA SER BEM DESPACHADO, ENTRA E LOGO SE INSTALA  ao nosso lado no sofá, desalojando a tristeza.
Enquanto come e bebe, vai contando sua história. Quando termina, pensamos: como pudemos viver tanto tempo sem ele? E nós pedimos que ele fique. Já nessa primeira manhã ele diz que nunca se sentiu tão confortável em nenhuma outra sala. Elogia os móveis, as telas que nós mesmos pintamos, até aquela do barquinho branco. À noite, com vogais melífluas sussurra que nossa cama parece uma nuvem de algodão. Achamos maravilhoso isso. Ele compartilha nossos gostos.
Uma mudança nunca vem sozinha. Vão passando os dias e, dali a alguns meses, dizemos a todos, com orgulho, que aquela casa não é mais nossa, é a casa do amor. Agora deixamos tudo com ele, até as chaves quando vamos trabalhar. E uma tardezinha, quando voltamos, tocamos a campainha, tocamos, e o amor demora uma eternidade para nos espiar pela janela e dizer: “Dá pra você passar depois? Eu estou vendo um filme.”
Continuaremos tocando, tocando, até compreender que o amor, se por acaso nos deixar entrar, nos receberá com sua segunda identidade: a máscara da compaixão. E tentaremos lembrar como era nossa tristeza, e nos lamentaremos por nos termos livrado dela, que bem nos serviria agora, embora de segunda mão.

Fonte: Estadão - Ctba, 19/jul/14 - Maria PRYBICZ

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