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domingo, 31 de julho de 2016

GREED IS GOOD! (a cobiça é boa)CAPITALISMO EXTREMAMENTE SELVAGEM!
SOLUÇÃO BOA!
Seria o “quantitative easing for People” proposto pele líder trabalhista britânico Jeremy Corbyn. Esse dinheiro circularia no consumo, nos benefícios públicos e superaria o grave padecimento humano pelo desemprego e pela fome. Esta seria uma solução viável, mais ética e mais  humana .
A crise econômico-financeira de 2007-2008 estremeceu os fundamentos da economia capitalista (este é seu modo de produção) e o neoliberalismo (este é sua expressão política). A tese básica era dar primazia ao mercado, à livre iniciativa, à acumulação privada, a lógica da competição em detrimento da lógica da cooperação e  a um Estado mínimo. O lema em Wall Street de Nova York era: greed is good, traduzindo, a cobiça é boa. Quem olha numa perspectiva minimamente ética já podia saber que um sistema montado sobre um vício (cobiça) e não sobre uma virtude (bem comum), jamais poderia dar certo. Um dia iria implodir.
Ninguém seguiu a sábia sentença atribuída a Einstein: “o pensamento que criou a crise não pode ser o mesmo que nos vai tirar da crise”. Temos que pensar e agir diferente. Foi exatamente o que não se fez. Piamente se acredita ainda que este sistema continua bom e válido, a despeito da devastação ecológica que produz, pondo em risco as bases que sustentam a vida. Ele é bom e válido para os especuladores que  estão acumulando uma riqueza absurda. Nos USA o 1% dos mais opulentos acumula rendas equivalentes àquela de 90% dos demais norte-americanos.
Duas estratégias foram usadas. A primeira foi a injeção de trilhões de dólares por parte dos Estados para impedir a falência total do sistema. Alem dos trilhões de moeda física lançada  no mercado, criou-se um o complemento chamado quantitative easing. Na definição que me parece correta da Wikipedia:“é a flexibilização quantitative que quer dizer, a criação de quantidades significativas de dinheiro novo (geralmente eletronicamente) por um banco, autorizado pelo Banco Central dentro de determinadas condições”.
Ocorre que este dinheiro novo, ao invés de ser investido na produção e na criação de empregos, foi jogado na corrente especulativa das finanças mundiais. Aqui se ganha muito mais, imediatamente, do que no investimento produtivo que demora muito mais tempo. Desta forma os ganhos vão para os já bilionários, sem solucionar a crise, ao contrario, agravando-a.
O outro expediente foram as políticas de ajustes, vindo sob o nome de austeridade. Para garantir os ganhos dos capitais, organizou-se um ataque sistemático aos direitos sociais, aos serviços públicos de saúde e de educação, ao sistema da providência e às aposentadorias. Isso se inaugurou primeiro na zona do euro e agora na mesma lógica no Brasil. Fragilizou-se a já frágil democracia e a diminuição do gasto publico está provocando recessão  e desemprego.
Se tivesse havido pensamento e um mínimo de senso humanitário, uma possível saída poderia ser, aquilo que incansavelmente, vem propondo há muitos anos, o ex-senador Eduardo Matarazzo Suplicy: a renda minima cidadã. Pelo fato de alguém ser humano, tem direito a uma renda cidadã que lhe garanta uma vida digna, embora frugal. Diz um estudioso Antonio Martins:”Um cálculo do site Swiss Info, ainda em 2009, mostrou que só nos primeiros meses de socorro aos bancos, os Estados gastaram 10 trilhões de dólares; seria suficiente para pagar a cada habitante do planeta US 1422, aproximadamente R$ 4,5 mil”(cf. site Outras Palavras de 14;07/16). Seria o “quantitative easing for People” proposto pele líder trabalhista britânico Jeremy Corbyn. Esse dinheiro circularia no consumo, nos benefícios públicos e superaria o grave padecimento humano pelo desemprego e pela fome. Esta seria uma solução viável, mais ética e mais  humana . Ela pode ser ainda realizada. Quem sabe, com o agravamento da crise mundial, não sejamos obrigados a esta solução verdadeiramente salvadora.
Fonte: JB/Leonardo Boff
Ctba, 31/jul/16
Maria Prybicz


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